"Aconteceu, pois, que naqueles dias saiu um Edito de César Augusto para que todo o orbe se recenseasse" (Lucas 2,1)
José acompanhado por Maria, resignadamente recebeu o Decreto de César e dirigem-se a caminho para a terra de Judá, para a cidade de Belém para recensear-se.
Depois de uma viagem de quatro ou cinco dias, por caminhos em más condições, chegaram a Belém muito cansados, especialmente a Virgem devido ao estado em que se encontrava. E ali, na cidade dos seus antepassados, não conseguiram lugar para alojar-se.
Não havia lugar para eles na estalagem (Lc 2,7), nem nas casas em que José pediu pousada para o Filho de Deus que palpitava no seio puríssimo de Maria.
Ninguém deixou Cristo entrar. Fecharam-Lhe as portas.
Santa Maria e São José no entanto não cansaram de bater de porta em porta até declinar o dia.
Nos deixaram com este gesto, o exemplo : o Pai jamais abandona o homem, embora réu de culpas graves, mas sempre vai lhe falando ao coração: "Abre-Me", e declara estar sempre à porta do coração batendo: "Eu estou em pé à porta e bato" (Apocalipse 3,20).
Era tamanha a obstinação e dureza daqueles corações ingratos. Mas Deus não deixou de inspirar-lhes ao coração que Lhe dessem hospedagem; porém as inspirações não faziam impressão naqueles corações então inteiramente ocupados em cuidados mundanos.
É possível que alguém tenha Lhes falado de umas covas naturais à saída do povoado, e dirigiram-Se a uma delas e ali se instalaram com seus pertences que haviam trazido de Nazaré.
Jesus estava prestes a vir à luz e deixar as trevas do útero Virginal, e já sofria a ingratidão dos homens.
Baseado no livro : Vida maravilhosa de Cristo - Infância de Jesus - Primeira Parte- Cecília Felicidade Baij