REIS MAGOS - 06 DE JANEIRO

REIS MAGOS - 06 DE JANEIRO

E mais tarde... Ao saírem os Magos de Jerusalém, a estrela que tinham visto ao Oriente precedia-os, até que se deteve em cima do lugar onde estava o Menino. Ao verem a estrela, eles sentiram uma imensa alegria (Mt 2,10). E, entrando na casa, viram o Menino com Maria, Sua Mãe e prostrando-se O adoraram (Mt 2,11).

A adoração dos Reis Magos foi uma homenagem de fé e um tributo de amor ao Verbo Encarnado.

Os Magos souberam ver n'Aquela Criança o Menino-Deus, a quem, desde então, todos os séculos adoram. Tal deve ser nossa Adoração Eucarística.

JESUS presente no Sacrário é o mesmo que estes homens sábios encontraram nos braços de Maria.

Talvez devamos ver como O adoramos quando está exposto no ostensório ou escondido no Sacrário, com que devoção nos ajoelhamos durante a Santa Missa nos momentos indicados, ou sempre que passamos por lugares onde está reservado ao Santíssimo Sacramento.

Os Magos são nossos modelos, como primeiro adoradores. As suas adorações são dignas de nossa admiração e constituem o protótipo das visitas ao Santíssimo Sacramento.

A fé dos Magos brilha em todo o seu esplendor nas terríveis provações que passaram e das quais triunfaram.

E a sua fé valeu-lhes um privilégio singular: serem os primeiros entre os gentios a adorá-LO, quando o mundo ainda O desconhecia.

Os Magos encontraram primeiro, o silêncio, em Jerusalém, pois que contavam encontrar a cidade em júbilo, o povo em festa, e por toda a parte a alegria. A segunda provação dos Reis Magos foi o estado de humilhação do Menino Deus, porquanto esperavam, naturalmente, ver o berço do recém-nascido rodeado de esplendores do Céu e da terra. O silêncio do mundo e a humilhação sacramental de Jesus Cristo - eis as duas grandes provações da fé na Eucaristia.

Os Magos vem de tão longe ver um rei, e são conduzidos a uma aldeia; são conduzidos a uma casa simples e pequena, onde  a estrela se detém! Quantos ensinamentos para nós! Corremos talvez o perigo de não perceber completamente até que ponto o Senhor está perto de nossas vidas, "porque DEUS se apresenta a nós sob a insignificante aparência de um pedaço de pão, porque não se revela na sua Glória, porque não se impõem irresistivelmente, porque, enfim, desliza sobre a nossa vida como uma sombra, ao invés de fazer retumbar o Seu poder sobre as coisas...". Sejamos, pois herdeiros de seu amor, dignos da realeza de sua fé em Jesus Cristo, e participaremos também um dia de Sua Glória.

"E abrindo os tesouros Lhe ofertaram ouro, incenso e mirra" (Mt 2,11): os dons mais preciosos do Oriente; o melhor para DEUS. Esses três dons representam a humanidade toda aos pés do Menino Deus. Oferecem-Lhe ouro, o poder e a riqueza, símbolo da realeza. Jesus Sacramentado precisa de ouro porque é o Rei dos reis, com direito a um trono que excede em esplendor ao de Salomão : ouro para os vasos sagrados, ouro para o Altar. Nós, como cristãos, queremos também oferecer-Lhe, em sinal de submissão, "o ouro fino do espírito de desprendimento do dinheiro e dos meios materiais. Não esqueçamos que são coisas boas, que procedem de Deus. Mas o Senhor dispôs que as utilizássemos sem nelas deixar o coração, fazendo-as render em proveito da humanidade".

Os Magos oferecem-Lhe incenso, a oração. Jesus tem direito ao incenso das nossas adorações, a fim de nos dar em troca Suas bênçãos e Suas graças. Incenso, o perfume que era queimado todas as tardes no altar como símbolo da esperança posta no Messias.

São incenso "os desejos de levar uma vida nobre, da qual se desprenda o perfume de Cristo (2 Cor 2,15)". O bom perfume de Cristo faz-se sentir entre os homens, não pelas labaredas de um fogo de palha, mas pela eficácia de um rescaldo de virtudes - a justiça, a lealdade, a fidelidade, a compreensão, a generosidade, a alegria."

Os Reis Magos ofereceram-Lhe também mirra, o sofrimento. Jesus Sacramentado precisa de mirra não para Si mesmo, visto que já consumou Seu sacrifício sobre a Cruz, e uma vez que a ressurreição glorificou o Seu divino Corpo e o Seu túmulo sagrado; mas, porque, constituído nossa Vítima perpétua sobre o Altar, tem necessidade de sofrer em nós, Seus membros, nos quais se encontra novamente a sensibilidade, a vida e o mérito do sofrimento; nós O completamos e Lhe imprimimos a qualidade atual de Vítima imolada. Mas, não pensemos que a reflexão sobre a necessidade do sacrifício e da mortificação significa introduzir uma nota de tristeza na festa que hoje celebramos. Mortificação não é pessimismo nem espírito acre; muito pelo contrário, está intimamente relacionada com a alegria, com a caridade, com a preocupação de tornar agradável a vida aos outros.

Podemos fazer diariamente a nossa oferenda ao Senhor, porque diariamente podemos ter um encontro com Ele na Santa Missa e na Comunhão : podemos colocar na patena do sacerdote a nossa oblação, feita de coisas pequenas que Jesus aceitará. Se o fizermos com reta intenção, essas pequenas coisas que oferecermos ganharão muito mais valor do que o ouro, o incenso e a mirra, porque se unirão ao Sacrifício de Cristo, Filho de Deus, que Se oferece a Si próprio.

Nos  Pastores de Belém, nos Reis Magos, vemos milhares de almas de toda a terra que se põem a caminho para adorar o Senhor. Passaram mais de dois mil anos desde aquela primeira adoração, e hoje nós  podemos nos reunir para contemplarmos o Presépio e adorarmos o Menino-Deus meditando neste grande mistério.

Ao terminarmos, não peçamos aos Reis Magos que nos dêem ouro, incenso e mirra; peçamos que nos ensinem o caminho que leva a Cristo, a fim de que cada dia Lhe levemos o nosso ouro, incenso e mirra. Peçamos também " a Mãe de Deus, que é nossa Mãe, que nos prepare o caminho mais seguro para encontrarmos o Senhor. Os Reis Magos tiveram uma estrela; nós temos Maria, Estrela do Oriente". Amém!


COMUNHÃO DOS SANTOS