Deus me criou porque, por alguma razão insondável e incompreensível para mim, se enamorou de mim quando me vislumbrou na sua mente. Desde toda eternidade acariciou esse pensamento acerca de mim e desejou partilhar comigo, para sempre, a Sua própria felicidade inefável. Num momento determinado do tempo, criou-me, e a partir desse instante vem me oferecendo inúmeras graças. Chegou ao extremo de fazer-se Homem, como eu, e de morrer numa cruz para que eu me salve e alcance essa felicidade inefável: devemos lembrar-nos de que Jesus Cristo teria morrido por mim, mesmo que eu tivesse sido o único homem necessitado de salvação. Mas, há uma coisa que Ele não pode fazer por mim, uma parte do Seu plano que só eu posso cumprir: AMÁ-LO.
Só o amor que eu tenha por Ele me dará condições para ser feliz no Céu. Nem o próprio Deus, com a sua onipotência, pode fazer-me participar da Sua alegria , se eu não me abrir a ela procurando amá-Lo com todas as minhas forças. Sem o amor a Deus , a felicidade do Céu, terá menos sentido para mim.
Sim! Deus terá que me ajudar a amá-Lo, porque, sem a Sua ajuda, sem a Sua graça, eu não poderia fazê-lo, mas o ato livre, voluntário, pelo qual escolho a Deus como o Bem Supremo, acima de todas as coisas, é algo que me cabe por inteiro e que ninguém pode realizar por mim.
Este amor a Deus não é uma questão de sentimentos. O amor a Deus deve estar arraigado na vontade, não em emoções passageiras. Se estamos dispostos a fazer o que DEUS nos pede, se queremos fazê-lo, ainda que nos custe, então ( e só então), O amamos de verdade.
Deus estabeleceu os Seus Mandamentos para nosso bem não para pôr à prova o nosso amor. No entanto, guardá-los é uma prova de que O amamos, porque se de verdade O amamos; faremos o que ELE nos pede, por muito que nos custe. Se não obedeço a Deus é porque não O amo. Não há meio termo. É neste ponto que se torna patente a ingratidão do pecador, que mesmo Deus tendo derramado todos os Seus Dons sobre ele, este corresponde zombando de Deus, quando peca. Ao amar a si mesmo mais do que a Ele, nego-me a dar o passo - o único passo- que Ele me pede para completar os seus esforços: a obediência.
Óbvio que não temos a valentia de encarar de frente todo o alcance dessa minha ação... e continuo pecando. Não me atrevo admitir que,na realidade, não amo a Deus. Por isso nego-me a escutar a voz da consciência. Procuro não pensar na estupidez e na ingratidão que se encerram no que fiz, para poder dizer depois que, no fundo, "não queria fazer nada de mau". O que não evita que o mal continue ali, nem que eu continue a ser vítima das suas conseqüências. Outra maneira de sair pela tangente é pretender que, nesse caso concreto, nas minhas circunstâncias, a Lei de Deus não é aplicável ao que eu fiz.
Não podemos forjar um Deus ao nosso gosto. Não podemos pretender que Ele seja como nos convém. Um Deus que faz vista grossa, não existe. Deus é misericordioso sim, mas também justo.
Devemos lembrar que a perda da fé, é o resultado de uma longa trajetória de pecados.
A triste história do pecado é uma história de estupidez e ingratidão, uma história de substituição da autêntica felicidade por enganosas satisfações pessoais; uma história de amor que agoniza e de fé que se extingue.
Precisamos rezar cada dia : "Ó meu Deus, livrai-me do pecado!"
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