"E abrindo os tesouros Lhe ofertaram ouro, incenso e mirra" (Mt 2,11): os dons mais preciosos do Oriente; o melhor para DEUS. Esses três dons representam a humanidade toda aos pés do Menino Deus. Oferecem-Lhe ouro, o poder e a riqueza, símbolo da realeza. Jesus Sacramentado precisa de ouro porque é o Rei dos reis, com direito a um trono que excede em esplendor ao de Salomão : ouro para os vasos sagrados, ouro para o Altar. Nós, como cristãos, queremos também oferecer-Lhe, em sinal de submissão, "o ouro fino do espírito de desprendimento do dinheiro e dos meios materiais. Não esqueçamos que são coisas boas, que procedem de Deus. Mas o Senhor dispôs que as utilizássemos sem nelas deixar o coração, fazendo-as render em proveito da humanidade".
Os Magos oferecem-Lhe incenso, a oração. Jesus tem direito ao incenso das nossas adorações, a fim de nos dar em troca Suas bênçãos e Suas graças. Incenso, o perfume que era queimado todas as tardes no altar como símbolo da esperança posta no Messias.
São incenso "os desejos de levar uma vida nobre, da qual se desprenda o perfume de Cristo (2 Cor 2,15)". O bom perfume de Cristo faz-se sentir entre os homens, não pelas labaredas de um fogo de palha, mas pela eficácia de um rescaldo de virtudes - a justiça, a lealdade, a fidelidade, a compreensão, a generosidade, a alegria."
Os Reis Magos ofereceram-Lhe também mirra, o sofrimento. Jesus Sacramentado precisa de mirra não para Si mesmo, visto que já consumou Seu sacrifício sobre a Cruz, e uma vez que a ressurreição glorificou o Seu divino Corpo e o Seu túmulo sagrado; mas, porque, constituído nossa Vítima perpétua sobre o Altar, tem necessidade de sofrer em nós, Seus membros, nos quais se encontra novamente a sensibilidade, a vida e o mérito do sofrimento; nós O completamos e Lhe imprimimos a qualidade atual de Vítima imolada. Mas, não pensemos que a reflexão sobre a necessidade do sacrifício e da mortificação significa introduzir uma nota de tristeza na festa que hoje celebramos. Mortificação não é pessimismo nem espírito acre; muito pelo contrário, está intimamente relacionada com a alegria, com a caridade, com a preocupação de tornar agradável a vida aos outros.
Podemos fazer diariamente a nossa oferenda ao Senhor, porque diariamente podemos ter um encontro com Ele na Santa Missa e na Comunhão : podemos colocar na patena do sacerdote a nossa oblação, feita de coisas pequenas que Jesus aceitará. Se o fizermos com reta intenção, essas pequenas coisas que oferecermos ganharão muito mais valor do que o ouro, o incenso e a mirra, porque se unirão ao Sacrifício de Cristo, Filho de Deus, que Se oferece a Si próprio.
Nos Pastores de Belém, nos Reis Magos, vemos milhares de almas de toda a terra que se põem a caminho para adorar o Senhor. Passaram mais de dois mil anos desde aquela primeira adoração, e hoje nós podemos nos reunir para contemplarmos o Presépio e adorarmos o Menino-Deus meditando neste grande mistério.
Ao terminarmos, não peçamos aos Reis Magos que nos dêem ouro, incenso e mirra; peçamos que nos ensinem o caminho que leva a Cristo, a fim de que cada dia Lhe levemos o nosso ouro, incenso e mirra. Peçamos também " a Mãe de Deus, que é nossa Mãe, que nos prepare o caminho mais seguro para encontrarmos o Senhor. Os Reis Magos tiveram uma estrela; nós temos Maria, Estrela do Oriente". Amém!