O NASCIMENTO DE JESUS

 

A Alma de Jesus, antes de submeter-se a primeira crucificação pela encarnação, diz Seu “Adsum” ao Pai. Ele o fala através do Espírito: “Pai! Quero Te glorificar! Quero fazer reparação pelos homens! Quero trazê-los de volta a Ti. E em Teu Nome, vou”. E assim, o PAI, sobre o Espírito, abençoou o Filho.

 

Maria cobre com Seu Manto amplo e azul Sua pequena Criança que repousa em Seu Seio e levanta-se para procurar o lugar onde devia segundo a vontade do Pai entregar o Senhor do mundo a este mundo.

MARIA, o Trono do Amor. Carrega o Senhor do mundo pelas vielas da Cidade de Davi.

Os caminhos sobem e descem e muitas vezes são escorregadios, e a criança que ainda dorme no ventre da Mãe algumas vezes se assusta.

A Mãe carrega o Senhor e com Ele a Cruz. E enquanto carrega com ELE a Cruz, Ela não está só. Mas quantos sustos, fealdades ainda vão encontrar? Quanta perversidade?

Este é o quotidiano com todas as suas ninharias, com a imundície da falsidade e maldade, da dureza de coração, da indiferença, de obstáculos repentinos e das palavras e ataques hostis e agudos.

Maria chega a uma feira. As pessoas estão regateando e negociando. É um aperto. São José tem dificuldades em abrir um caminho estreito para Maria ao longo das casas. Aqui e acolá, ele percebe um olhar curioso; isto o aflige, porque uma mulher antes do nascimento do filho não deveria mais se mostrar. Maria puxa Seu véu mais para baixo.

 O que DEUS quer Ela faz, mesmo que seja para Ela ainda tão difícil. Só Deus sabe por que tem que ser assim.

E ainda não se encontrou um lugar para Maria, estão Eles a muitas horas no caminho.

São José não quer deixar Maria sozinha. Ele teme que Ela possa ser insultada, assim eles continuam andando vagarosamente. O Amor severo de Deus os deixa ainda caminhar e Eles se esforçam, sem restrições e sem queixas,  perseveram.

A Alma de Jesus atravessa o ventre da Mãe e olha amplamente sobre a Cidade e Maria, a Mãe, sente a contradição, que não vem da santidade, como Pai e Filho, que não vem da natureza como quente e frio, mas que vem das conseqüências do pecado: das riquezas, dos possuidores que se fecham com dureza de coração contra toda necessidade: a pobreza dos mendigos nas beiras das estradas, dos que não tem lar, nenhum aconchego, nenhum futuro seguro pelos bens materiais.

MAS Vê: o pobre divide seu pão com o ainda mais pobre, ele tem amor, prontidão em ajudar, compaixão e misericórdia; e assim ele anula diante de Deus a contradição vinda do pecado, DEUS o coloca por causa do amor nas fileiras daqueles que são realmente ricos diante de Deus. Ali vai Teu caminho, Mãe Maria, aos pobres, pequenos, pois eles ainda são abertos e prontos para Deus.

Maria sente que Sua Criança não Se move a ir para os ricos, mas para os pobres. Nenhum dos ricos, parentes ou conhecidos lhes abre a porta, em especial para Sua Criança.

E Eles já  estão no portal da Cidade. São José humildemente acha que Eles deveriam voltar mais uma vez e talvez procurar albergue junto às pessoas mais pobres ou na proximidade do grande albergue. Mas Maria passa silenciosamente o portal. Ela vai ao encontro da solidão, da pobreza, do abandono. Ela percorre o caminho da obediência.

Pastores apontam para um estábulo vazio que é usado só pelos rebanhos que passam por lá.

Alguns animais pastam fora. No estábulo há palha e um pouco de feno. Ó pobreza mais amarga!

Nenhum leito confortável, nenhuma mão para ajudar espera Maria. Deus, realmente A tornou paupérrima. Como uma mendiga, a mais pobre, Ela está na beira da estrada. Ela tem que procurar um abrigo para Sua hora. Esta provação é a do empobrecimento mais profundo; mas ela é igualmente a pedra santa da prova da fidelidade. Despojados de todos os valores terrenos, abandonado pelos homens, São José ajeita a cansada Mãe na terra, pisada, dura, na qual Ele ainda deposita o pouco que levaram em cobertores. Silenciosa e

Pacientemente os dois se submetem a Santíssima Vontade de Deus.

A Alma de Jesus se prepara. Assim como cada Santo Anjo quando é chamado para a missão de Anjo da Guarda, assim se prepara o Filho de Deus para a aceitação da imagem de Servo como Cordeiro de Deus. Ele quer sair da Catedral magnífica, que se chama igualmente  Tesouro de Deus, Trono de Deus, Rainha e Mãe Maria, Virgem puríssima.

Desamparada está Maria, como ferramenta Ela entrega-Se ao agir da Majestade de Deus. Quase sem voz Ela pede: “Vai, José, Eu te peço, procura ajuda!” Como José gostaria de ficar junto a MARIA. Agora em que Ele pode provar sua fidelidade, Maria o manda para fora. Mas o maior amor se prova no maior sacrifício.

E se tornou totalmente escuro. São José levou a lanterna do estábulo, para trazer ajuda o mais rápido.

Animais pisam ao redor do estábulo. Do albergue longínquo se escuta o tumultuoso barulho. Maria está deitada, quietinha. Toda Sua oração é interiorizada. Ela se dilui em fé escura, em confiança escura, em dizer sim por amor àquilo que acontecerá. Ela é desdobrada por Deus, com mil dores espirituais daria Luz ao mundo inteiro em Deus.

Um Anjo ajoelha diante da Alma de Jesus, profundamente inclinado em adoração.

Jesus diz: “ATA-ME”. E o Senhor inclina-Se diante da Sua criatura, o Anjo. Ele pede que o Anjo o ATE abaixo da fraqueza infantil e impotência.

Torna-se Luz no estábulo. Maria está suspensa, a terra suja do estábulo não A podia tocar. Ela está  diante da face de Deus, diante do Pai e do Filho e do Espírito ao mesmo tempo em que está em Seu corpo. Os Santos Anjos estão ao redor DELA. Em respeito um Santo Anjo está ajoelhado diante de Maria e diz profundamente inclinado:

”Ó Senhor, nosso DEUS, nós Te pedimos, Vem!”.

Portas de Tabernáculos  se abrem, a viva Hóstia Jesus está deitada nas faixas brancas...Ele se assemelha a um misterioso Pão luminoso.

Ninguém se move. É silêncio no Céu e na terra, cerca de meia hora. Volta então a cor em Maria e Ela abre os olhos. Vem vida na Criancinha branca como a neve e toma a cor humana, Ela abre os olhinhos. E primeiro vê diante de Si um Anjo com uma cruz. E então chora, sim, grita lastimosamente. Mas Maria brilha de felicidade celestial. Ela envolve Sua Criança com o manto.

Entra então José, foi ele o primeiro depois de Maria, a contemplar o Filho de Deus feito homem, o primeiro a experimentar a felicidade de ter nos Seus braços Aquele que ele sabia ser o Messias.

E no meio de tanta pobreza e simplicidade, o exército celestial, os  Santos Anjos,  ainda estão presentes com a Sua Luz. Eles se elevam ao Céu e louvam a Deus, cantando o “ Glória a Deus nas alturas...”  sobre os campos de Belém.

Só um Santo Anjo fica silenciosamente para trás, é o Anjo dos mais pobres.

Jesus, Maria e José estão sós. Mas Deus procurou gente simples para acompanhá-los: “ Nas pastagens aos arredores da antiga cidadezinha de Belém. Homens vigiavam a luz de uma fogueira, seus rebanhos dormiam ao redor, o silêncio dominava. Nesta primeira noite a profecia cumpre-se unicamente neles. A Glória do Senhor envolveu-os com a Sua Luz” (Lc 2,8-9), foi quando um Anjo do Senhor envolvido no brilho da magnificência divina de súbito estava a sua frente, dizendo: “Achareis uma criancinha envolvida em faixas e deitado numa manjedoura” (Lc 2,10-12). A mensagem do Anjo enchera de júbilo o coração e ânimo dos pastores e puseram-se a caminho... No meio da escuridão. É natural que eles não se puseram a caminho sem levar presentes para o recém-nascido. Devem ter levado o que tinham ao seu alcance: um cordeiro, queijo, manteiga, leite, pão. Maria e José surpreendidos e alegres convidam os tímidos pastores a entrar e ver o Menino, e deixam que O beijem e lhe cantem, e disponham perto da Manjedoura os seus presentes.

 São os Pastores daquela região, que o Profeta Isaías mencionara: “O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9,1). Deus quis que os pastores fossem também os seus primeiros mensageiros, eles irão contando o que viram e ouviram. E todos os que os ouviam maravilhavam-se com o que eles lhes diziam” (Lc 2,17-18).

É este o mistério fascinante desta noite Santa do Natal. A noite de maior elevação do homem, onde ele encontra sua origem. O Filho de Deus torna-se homem através do Espírito Santo e os filhos dos homens se tornaram filhos adotivos de Deus que recebem o direito de O chamar “Aba, querido Pai” (Rom, 8,15; Gal 4,6).

Esta é a causa da nossa alegria do Natal, alegria de todos: dos pastores, dos Reis Magos, dos Bispos, dos Sacerdotes, das crianças, das famílias.


COMUNHÃO DOS SANTOS