O PECADO É PARA A ALMA O QUE A DOENÇA É PARA O CORPO

Quando procuramos livrar-nos de hábitos pecaminosos na nossa vida, devemos ter em conta, que um pecado não é coisa que possamos arrancar com pinças como um espinho encravado na palma da mão; o pecado é um desarranjo do nosso sistema espiritual. E para podermos eliminá-lo, é preciso agir como se faz com o corpo fortalecê-lo, aumentar as suas defesas.
A primeira grande defesa é : A GRAÇA DE DEUS. Ao cooperarmos com ela, devemos seguir o mesmo método: procurar criar bons hábitos que fortaleçam a capacidade de resistência da nossa alma, de forma a expulsar os hábitos maus. Por exemplo, muitos dos nossos pecados procedem da preguiça. Não sabemos em que ocupar o tempo, sentimo-nos vazios, lemos livros pouco convenientes, ou deixamos vaguear a imaginação até que surge a tentação da impureza. A receita mais adequada em face deste diagnóstico: ocupar-se em alguma coisa útil, aproveitar o tempo, praticar algum esporte. Assim que preenches o vazio, a tentação desaparece.
Outros pecados procedem do egoísmo. Muitas vezes ficas mal humorado e inquieto, resmungas por qualquer coisa, respondes mal quando te fazem uma advertência... Vê bem: se tentas preocupar-te um pouco mais pelos que te rodeiam, interessar-se pelas suas coisas, procurar compreendê-los e ajudá-los, o mau humor resmungão desaparece.
Ou então estás tíbio: aborrece-te na Missa, mal rezas. Pois bem, não adianta fazeres o propósito de não te aborreceres mais. Pelo contrário procura estar atento, acompanha de perto a liturgia, diz as tuas orações sabendo o que dizes, e logo, terás substituído o hábito ruim por um positivo.
Sempre que fizerdes bons propósitos, que estes sejam positivos, não simplesmente negativos.
Procura teu diretor espiritual se o tiveres, explica a ele o que se passa e pergunte qual a melhor forma de venceres as tuas dificuldades.
Procure o hábito de manter sempre viva a presença de Deus. Pensa em Deus. Fazendo assim, verificarás que pouco a pouco os maus hábitos vão desaparecendo, mesmo aqueles que julgavas mais enraizados, mais difíceis de combater.
É preciso que tenhas em mente algumas coisas:
A primeira: que detestes os teus pecados passados e se arrependas deles.
A segundo: que não te perguntes que maus hábitos pensas evitar, mas quais são os bons que vais cultivar no futuro.
A terceira: reze todos os dias com fervor, procure manter Deus sempre presente em sua vida
A quarta: Freqüente os Sacramentos
A quinta: procure evitar pessoas, lugares e coisas que possam induzi-lo a pecar.
Assim Deus lhe dará as graças necessárias  para evitar que peque mortalmente.
No cumprimento da nossa tarefa de amar a Deus, o primeiro passo indispensável é evitar a todo custo o pecado mortal, porque são duas coisas inconciliáveis . Pela sua própria natureza o pecado mortal significa a radical rejeição de Deus, o desprezo absoluto do Seu Amor. A desobediência própria do pecado venial é outra coisa, pois difere da desobediência própria do pecado mortal não só em grau ou quantidade, mas também em gênero, classe ou qualidade.
Evitar o pecado mortal é algo essencial para se poder amar a DEUS, e é também a primeira prova deste amor. Então precisamos saber quais são os elementos que constituem o pecado mortal, para distingui-lo do pecado venial.
Para que um pecado seja mortal são necessários três requisitos:
1. Que o que fazemos ou o que omitimos seja matéria grave.
2. Que tenhamos conhecimento suficiente do que fazemos.
3. Que consintamos plenamente no que fazemos.
Examinando estes três elementos...
Matéria grave significa  que se trata de alguma coisa séria e reprovável do ponto de vista de Deus, não de uma apreciação humana ou dos convencionalismos sociais.
Dois exemplos: há aqueles que admitem que o adultério é coisa grave, mas que se pode flertar impunemente com uma mulher ou homem casado... No entanto, engana-se quem assim pensa, para Deus , ambas as coisas são graves.
Alguns consideram o roubo com violência, mas defraudam e roubam nos seus negócios.
Enfim, ao apurarmos a gravidade de um pecado nas nossas vidas, temos que ter a certeza de que estamos alinhados com o pensamento de Deus... seria lamentável que exagerássemos a gravidade de um pecado que cometemos, mas muito mais lamentável seria que a diminuíssemos.
Infelizmente quando a matéria é grave, o demônio (ou o nosso amor próprio) costuma utilizar a astúcia de sussurrar aos nosso ouvido: "não se deve exagerar... afinal o que fizestes não é tão grave assim!"
Conhecimento suficiente quer dizer que sou consciente do que estou fazendo e de que isto que estou fazendo é um pecado.
Também não me devo sentir culpado hoje se descubro que uma coisa que fiz ontem era pecado. Há pessoas que se torturam às vezes recordando atos pecaminosos que praticaram na juventude sem saber que o eram.
Se pratico deliberadamente alguma ação convencido de que é pecado grave, é pecado para mim, ainda que depois descubra que não o era.
Ex.: se roubo um milhão e depois descubro que esse dinheiro era meu, peco tal como se não o fosse, pois sabia que a minha ação ofendia a DEUS; a minha ignorância não destrói a malícia do ato praticado.
Quanto ao conhecimento suficiente, costuma haver outro risco contra o qual devemos estar prevenidos : o de nos cegarmos voluntariamente com relação à possibilidade de pecar. Deslizamos para o pecado, procurando convencer-nos de que " não há perigo". Depois , uma vez cometido, alegamos que nos vimos pegos de surpresa... Alegação esta que engana a nós mesmos, mas que não convence a Deus.
O consentimento pleno da vontade é um elemento imprescindível da rejeição de Deus característica do pecado mortal.
Isso quer dizer que o que fizermos, temos que fazê-lo livremente, deliberadamente.
Quando algum favor interfere  seriamente na nossa liberdade de escolha, deixamos de ser capazes de decidir ou de escolher livremente.
Evidente que se nos forçam fisicamente a fazer alguma coisa, não podemos pecar. Mas existem outros fatores que podem suprimir ou diminuir a nossa livre vontade.
O medo, o cansaço, a ansiedade, a tensão nervosa ou um conflito emocional, podem exercer uma maior ou menor influência sobre nossa liberdade de escolha.
Só DEUS conhece os efeitos destas ou daquelas circunstâncias sobre nossa capacidade de decisão. Só ELE pode apreciar o grau do nosso consentimento.
Nestes casos, o que temos que fazer é colocar-nos humildemente nas suas mãos e procurar pedir-Lhe perdão com todas as nossas forças, abandonando-nos à misericórdia do Seu juízo.
Só DEUS é capaz de julgar se repelimos ou não a tempo uma tentação.
Isto é assim quando  percebemos que estamos às voltas com pensamentos pecaminosos - contra a fé, contra a caridade ou contra a castidade... e procuramos expulsá-lo, mas retorna constantemente. Então me pergunto: Será que soube  rejeitá-lo a tempo?
Contentemo-nos, pois em fazer um ato de contrição e deixar o resto para Deus.
Um ponto em relação à livre escolha é de que a malícia de um pecado está na intenção mais do que na ação. No momento em que decido cometer um pecado, já o cometi aos Olhos de Deus. Se tenho um pensamento de ferir alguém, neste mesmo momento, já pequei, ainda que depois venha acontecer que não venha concretizá-lo, ou porque simplesmente mudei de idéia, pois nenhuma dessas coisas pode apagar um pecado que já cometi.
Então penso, ah, se já cometi o pecado então vou levá-lo adiante, vou torná-lo concreto... este ato externo acrescenta malícia ao ato interno.
É uma verdade de fé que, com a graça de Deus, todos podemos evitar o pecado mortal. Por mais violentas que sejam as tentações que nos assaltam, a graça de Deus nos ajudará a superá-las. Nunca podemos cometer este pecado e depois dizer com razão: "Foi inevitável". Se fosse inevitável não seria pecado mortal. E se o que quero dizer é que foi "inevitável" por eu não ter tomado as precauções que devia pára evitá-lo, a culpa é minha e o pecado também.
Ninguém que tenha fortes tentações pode estranhar que, se não reza diariamente e não recorre a Deus no momento da tentação, acabe por pecar.
Se não confessa com freqüência e não recebe a Sagrada Comunhão, o mais provável é que peque e que torne a pecar, porque foi precisamente para nos dar as graças e a fortaleza de que necessitamos que Jesus Cristo estabeleceu os Sacramentos.
Se desprezo o Sacramento da Penitência ou não recorro a ele com freqüência, estou dizendo de fato, que não me importo de pecar.

"Os nossos próprios pecados" - Ronald Knox


COMUNHÃO DOS SANTOS