O ESTADO DE GRAÇA - UM SILENCIOSO E EFICAZ EXORCISMO


“Então um homem possuído por um espírito imundo pôs-se a gritar: ‘O que temos nós a ver contigo, Jesus de Nazaré? Viestes para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus’. Jesus, então, disse: ‘Cala-te e sai dele’. E agitando-se violentamente o espírito imundo deu um forte grito e saiu dele”. O que pensar deste episódio e de muitos outros acontecimentos análogos presentes no Evangelho? Existem ainda os “espíritos imundos”? Existe o demônio?   Um dos motivos pelos quais muitos não acreditam que o demônio existe  é porque o busca nos livros, enquanto que ao demônio não interessam os livros, mas as almas, e não se encontram freqüentando os institutos universitários, as bibliotecas e as academias, mas, precisamente, as almas. Paulo VI reafirmou com força a doutrina bíblica e tradicional em torno deste “agente obscuro e inimigo que é o demônio”. Escreveu, entre outras coisas: “O mal já não é só uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Terrível realidade. Misteriosa e espantosa”. Também neste campo, contudo, a crise não passou em vão e sem trazer inclusive frutos positivos. No passado, com freqüência se exagerou ao falar do demônio, foi visto onde não estava, muitas ofensas e injustiças cometeram-se com o pretexto de combatê-lo; é necessária muita discrição e prudência para não cair precisamente no jogo do inimigo. Ver o demônio por todas as partes não é menos errôneo que não vê-lo por nenhuma. Dizia Agostinho: “Quando é acusado, o diabo se satisfaz. É mais, quer que o acuse, aceita com gosto toda tua recriminação, se isto serve para dissuadir-te de fazer tua confissão!”.  Antes ainda que Jesus dissesse algo aquele dia na sinagoga de Cafarnaum, o espírito imundo sentiu-se desalojado e obrigado a sair ao descoberto. Era a “santidade” de Jesus que aparecia “insustentável” para o espírito imundo. O cristão que vive em graça e é templo do Espírito Santo leva em si um pouco desta santidade de Cristo, e é precisamente esta a que opera, nos ambientes onde vive, um silencioso e eficaz exorcismo.

 

 


COMUNHÃO DOS SANTOS