É noite Santa de Natal, a Família Sagrada repousa num estábulo, na Gruta da Montanha, aos arredores de Belém.
Podemos ver claramente que o decreto do imperador romano foi uma providência de Deus. Maria e José foram a Belém por essa razão, e ali nasceu Jesus, segundo fora profetizado muitos séculos antes (Miquéias 5,1ss).
“O que acontece no estábulo, na Gruta da montanha, tem uma dimensão de profunda intimidade: é algo que acontece entre a mãe e o Menino que vai nascer. Ninguém de fora pode entrar. Mesmo José, o Carpinteiro de Nazaré, permanece como testemunha silenciosa. Só Maria é plenamente consciente da sua maternidade. E só Ela capta a expressão dos vagidos do Menino. O nascimento de Cristo é antes de qualquer coisa, o Mistério de Maria, o seu grande dia. É a festa da Mãe” (homilia de Natal – João Paulo II).
“Estando eles ali, completaram-se os dias do Seu parto, e Ela deu a luz ao Seu Filho primogênito, e envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura” (Lucas 2,6-7). Mas no meio de tal ambiente paupérrimo se revela diante dos olhos da fé o maior tesouro que o homem pode achar sobre a face desta terra... É o Filho de Deus eternamente gerado pelo PAI... Assim o Pai escolheu a maior pobreza para, no meio dela manifestar o Seu Amor doador mais sublime. O Mistério da encarnação de DEUS coloca os contrastes juntos: a luz e a escuridão da noite, o Infinito de Deus e os limites do homem, a Glória e a miséria, a imortalidade e a mortalidade, a divindade e a pobreza do homem.
Todas as penas ficaram completamente esquecidas no momento em que a Virgem pode ter nos Seus braços o Filho de Deus, que a partir daquele instante era também Filho Seu. E então O beija e O adora... Contempla-O quietamente.
Maria olha o Corpo do Menino Deus e lembra as atrocidades que acontecerão com Ele até que Sua alma separe do corpo no Gólgota.
Maria olha Sua Cabecinha e lembra que um dia Ele anunciará a Palavra de Deus, e que nos Seus Apóstolos e fiéis será atacado pela luta furiosa contra o adversário.
Maria olha a Mãozinha esquerda e lembra que um dia esta Mão se levantará contra tudo que não é santo, mas antes disso, ela guiará os cansados, os que estão no erro, os que sempre caem.
Maria contempla os olhos do Menino Jesus e neles vê primeiro a Si mesma, depois Ela vê nossa boa e má vontade, mas Ele deixa a Mãe ver o Reino de Deus e a grandeza do chamado de Deus para nós.
Maria olha os cabelos anelados da Criança, com os fios claros recorda as graças e com os fios escuros lembra a nossa culpa, vê que um dia eles estarão colados de sangue e entremeados na coroa de espinhos.
Maria olha a testa do Menino-Deus e vê escrito “Filho de Deus! Vencedor!”, Vê também o sinal da vitória na testa daqueles que serão sua propriedade.
Maria contempla o Pé esquerdo, e vê Jesus caminhar e cansar-Se para salvar almas.
Maria contempla os Joelhos do pequeno Menino e vê quantas vezes Ele intercederá e pedirá para nós diante do Pai.
Maria contempla o Pé direito e vê a soberba do homem, vê o amor do homem morrer.
Maria contempla a Mão direita, mão que partirá o Pão para o Gênero humano, que ressuscitará para vida, que indicará o Caminho, Mão que pregará na cruz do Seu amor aqueles que sela.
Maria olha para o Ombro do Menino e contempla os construtores do mundo que rejeitam a Pedra Angular na qual o Pai construiu a Igreja.
Maria olha para o coraçãozinho do Menino e vê um raio sair deste e no brilho do raio Ela vê o Reino de Deus no Céu e na terra, e este brilho mostra a união do corpo e alma, o amor de Deus ao amor do homem, do Eterno e do temporal e neste coração do Menino Deus Maria vê que nos tornamos um com Ele.
O Menino então começa a chorar. Entra então José, foi ele o primeiro depois de Maria, a contemplar o Filho de Deus feito homem, o primeiro a experimentar a felicidade de ter nos Seus braços Aquele que ele sabia ser o Messias.
“Deus vem ao mundo e as potestades tremem; o Senhor do Céu se desfez”. E no meio de tanta pobreza e simplicidade, o exército Celestial louvava a Deus dizendo: “Glória a Deus nas alturas...” (Lucas 2, 13-14)
Jesus, Maria e José estão sós. Mas Deus procurou gente simples para acompanhá-los: “Nas pastagens aos arredores da antiga cidadezinha de Belém. Homens vigiavam a luz de uma fogueira, seus rebanhos dormiam ao redor, o silêncio dominava. Nesta primeira noite a profecia cumpre-se unicamente neles. A Glória do Senhor envolveu-os com a Sua Luz” (Lucas 2,8-9), foi quando um Anjo do Senhor envolvido no brilho da magnificência divina de súbito estava a sua frente, dizendo: “Achareis uma criancinha envolvida em faixas e deitado numa manjedoura” (Lucas 2,10-12). A mensagem do Anjo enchera de júbilo o coração e ânimo dos pastores e puseram-se a caminho no meio da escuridão. São os pastores daquela região, que o Profeta Isaías mencionara: “O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9,1). DEUS quis que os pastores fossem também os seus primeiros mensageiros, eles irão contando o que viram e ouviram. “E todos os que os ouviam maravilhavam-se com o que eles lhes diziam” (Lc 2,17-18).
É natural que os pastores não se puseram a caminho sem levar presentes para o recém-nascido. Devem ter levado o que tinham ao seu alcance: um cordeiro, queijo, manteiga, leite, pão... Maria e José surpreendidos e alegres; convidam os tímidos pastores a entrar e ver o Menino, e deixam que O beijem e lhe cantem, e disponham perto da manjedoura os seus presentes.
“Viu-os aparecer na gruta ao mesmo tempo tímidos e curiosos; viu-os contemplar o Menino envolto em panos e colocado numa manjedoura (Lc 2,12). Os pastores explicaram então a aparição do Anjo que lhes comunicara o Nascimento do Salvador em Belém e o sinal pelo qual O conheceriam, e como uma multidão de anjos se reunira ao primeiro e glorificara a Deus e prometera na terra a paz aos homens de boa vontade” (Lucas 2,13-14).
É este o mistério fascinante desta noite Santa do Natal. A noite da maior elevação do homem, onde ele encontra sua origem. O Filho de Deus torna-se homem através do Espírito Santo e os filhos dos homens se tornaram filhos adotivos de Deus que recebem o direito de chamá-Lo “Aba, Querido Pai” (Rom 8,15; Gal 4,6).
Esta é a causa da nossa alegria do Natal; alegria de todos: dos pastores, dos Reis Magos, dos Bispos, dos Sacerdotes, das crianças, das famílias.
Solange