"E naquele lugar, com a simplicidade mais absoluta, completaram-se os dias do Seu parto" (Lucas 2,6). E deu-se o maior acontecimento da humanidade: Nasceu Jesus! Estendido na terra, humilhado, aniquilado, de todos abandonado e privado de todo socorro humano.
Tudo isto ofereceu Jesus em expiação dos pecados de todo gênero humano, em particular, de todas as delicadezas com, as quais tratam o próprio corpo, não podendo suportar incomodidade alguma ou penúria não só do necessário, mas ainda no supérfluo.
Jesus começou a chorar... Maria tomou-O nos castos braços, era grande o amor que dedicava a Jesus, Seu Filho, através da Luz superior a Virgem Mãe O reconhecia como Seu verdadeiro Deus e Lhe ardia no peito o desejo veemente de abraçá-Lo, como Seu Esposo. Eis as Palavras da Esposa Sagrada: " Encontrei Aquele que Minha alma ama. Segurei-O, e não O largarei" (Cant. 3,4)... Aquele que estava oculto em suas entranhas, podia Ela agora, contemplar e abraçar.
Eram tantos os mútuos afetos e obséquios que o Doce Menino Jesus e Sua dileta Mãe trocavam para honra e glória do Pai, em reparação das ingratidões e faltas de amor que os homens tem para com Deus, especialmente aquelas que causam tanto desgosto ao Pai amoroso quando os Filhos tem aos pais e os pais aos filhos, chegando até mesmo a se odiarem e demonstrarem ódio uns aos outros em vez de amor.
"Maria envolve com imenso amor a criança recém-nascida em uns panos...(Lucas 2,7)"
O pequeno Jesus envolto e apertado entre os panos, experimentou a pena das almas incautas, almas que se deixam prender com tanta facilidade e que, depois não encontram meios de solver os vínculos da iniqüidade e querem, mas não podem por si mesmas livrar-se. Jesus estando assim, envolto e apertado entre os panos, expiou por estas almas e pediu ao Pai amantíssimo que lhes dessem muitas graças e força para poderem se libertar.
E, isto vai acontecendo dia-a-dia, quando muitas almas se acham emaranhadas em duros vínculos de pecado quase sem o perceberem. Almas estas, destituídas de malícia plena, antes incautamente constrangidas por alguma consideração ou necessidade aparente, encontram-se em culpa, mas desejam com vontade decidida livrar-se dos horríveis vínculos. E Deus Pai não as deixa de ajudar.
Maria coloca o pequeno Menino Jesus, nos braços de José.
Quanta consolação sentiu José em sua alma ao ter em seus braços o Filho de Deus e de O ter recebido dos castos braços de sua puríssima Esposa Maria. Afligia-lhe o sofrimento de não poder tê-LO socorrido como seria conveniente. Mas esta consolação e esta pena de José eram oferecidas pelo Menino Jesus ao Pai, pedindo ao Pai que Se dignasse consolar todas as almas inocentes, fazendo com que possam prelibar-Lhe por meio da infusão da graça divina, especialmente aquelas que se afligem com o pensamento dos sofrimentos de Jesus. E o Pai assim realiza-o fazendo bem amiúde as almas inocentes experimentarem a doçura de Sua presença e da divina graça.
Maria, tomou-O novamente com suas próprias Mãos, em companhia de José, colocou-O no presépio, "Deitou-O numa manjedoura"(Lucas 2,7), sobre um pouco de feno, e, juntos se puseram genuflexos a contemplar o Divino mistério. Haviam dois animais que procuravam com Seu hálito esquentar o pequeno Jesus, com este humilde ato, também os animais O reconheciam como Seu criador; como se fossem dotados do uso da razão, estavam bem atentos e admirados, parecendo compadecer-se de tamanha pobreza.
Jesus estando colocado na manjedoura com um pouco de feno, ofereceu ao Pai em desconto de tantas suavidades e delicadezas que as criaturas procuram ter em seu repouso, chegando esta suavidade até a enganar mesmo as pessoas mais perfeitas, com a escusa de serem obrigadas a conservar a saúde, quando, ao invés, sem o perceber, satisfazem o amor próprio.
Jesus pediu ao Pai que dignasse dar graças, forças e virtudes a todos os que nisto soubessem se mortificar, O imitando, privando-se das delicadezas das quais ordenadamente podiam usar.
E quantos, empregaram e empregam o duro pavimento ou um pouco de sarmentos para seu repouso! E no entanto, tem resistência, com tanta generosidade e espírito que parece encontrarem nisto suas delícias. Tudo fruto das súplicas de Jesus ao PAI, pois sem a graça e assistência particulares, não poderiam agüentar.