Palavras pronunciadas por Bento XVI, na homilia da missa celebrada na Praça dos Celeiros, na cidade de Floriana, Malta, em sua 14ª viagem internacional.
Diante de 50 mil fiéis, o Papa falou das tradições maltesas e citou os muitos viajantes que passaram por Malta, entre os quais São Paulo, e o caloroso acolhimento dos habitantes da Ilha, que, assim como o Apóstolo, Bento XVI pôde experimentar pessoalmente.
"A riqueza e a variedade da cultura maltesa são um sinal que o seu povo recebeu muito do intercâmbio de dons e hospitalidade com os viajantes provenientes do mar. E é significativo que vocês souberam exercitar o discernimento para melhor individuar o que eles tinham para oferecer" – afirmou Bento XVI, exortando a população a continuar a fazer o mesmo.
Nem tudo o que o mundo propõe hoje merece ser acolhido, advertiu o pontífice. Muitas vozes procuram nos convencer a deixar de lado a nossa fé em Deus e na sua Igreja e de escolher, nós mesmos, os valores e as crenças com as quais viver.
Quando isso acontece, acrescentou, devemos nos recordar do episódio do Evangelho de hoje, quando os discípulos, todos pescadores experientes, não conseguem pescar sequer um peixe – situação que muda com a presença de Jesus.
"Meus queridos irmãos e irmãs, se depositamos a nossa confiança no Senhor e seguimos os seus ensinamentos, colheremos sempre inúmeros frutos."
A seguir, comentando a primeira leitura da Missa, ou seja, a narração do naufrágio de Paulo na costa de Malta, o Papa destacou a exortação do Apóstolo, quando pede aos tripulantes que depositem sua confiança somente em Deus, em meio às ondas agitadas do mar. A respeito, o Santo Padre afirmou:
"Também nós devemos depositar a nossa confiança somente n'Ele. Tentou-se pensar que a tecnologia avançada de hoje possa responder a todos os nossos desejos e nos salvar dos perigos que nos assediam. Mas não é assim. Em todos os momentos da nossa vida, dependemos totalmente de Deus, no qual vivemos, nos movemos e temos a nossa existência."
Mais do que qualquer carga que possamos levar conosco – acrescentou –, é a nossa relação com o Senhor que fornece a chave da nossa felicidade e da nossa realização humana. E Ele nos chama a uma relação de amor.
Na pergunta que Jesus dirige a Pedro na margem do lago: "Simão, tu me amas?", e na resposta afirmativa de Pedro, se sintetiza o fundamento de todo ministério pastoral na Igreja.
"É o nosso amor pelo Senhor que deve plasmar todos os aspectos da nossa pregação e ensinamento, da celebração dos sacramentos, e o nosso cuidado pelo povo de Deus. É o nosso amor pelo Senhor que nos leva a amar aqueles que Ele ama, e a aceitar com alegria a tarefa de comunicar o seu amor àqueles que servimos."
Dirigindo-se aos malteses, o Papa pede que eles preservem a fé e os valores que lhes foram transmitidos pelo Apóstolo São Paulo, repassando a seus filhos e aos imigrantes e visitantes: "Recordem-se que o intercâmbio de bens entre essas ilhas e o resto do mundo é um processo com dois caminhos. Aquilo que recebem, analisem com cuidado, e o que vocês possuem de valor, saibam compartilhar com os demais".
Por fim, Bento XVI dirigiu uma palavra especial aos sacerdotes, recordando que sua missão é verdadeiramente um serviço à alegria, à alegria de Deus que quer entrar no mundo.
Fonte: Rádio Vaticano.