A ESTRELA DOS MAGOS - PEÇA TEATRAL

Primeiro Ato

Música - abrem-se as cortinas

O rei Baltazar está sentado diante da sua casa de campo, olhando para o céu e escutando.

Uma noite estranha é esta - olhando em redor- A terra está cheia de tensão, como esperando um acontecimento, que está prestes a se realizar.

Baltazar olha para o céu. Que coisa! Que é isto? Três estrelas luminosas estão se aproximando, e parece que se tornam cada vez mais brilhantes. O que vai acontecer? Agora já estão bem próximas! Que maravilhoso! Agora já constituem uma só estrela de um clarão enorme, que está no Céu como um sinal flamejante.

Baltazar cai de joelhos, como paralisado, fixando seu olhar na estrela; silêncio.

Baltazar: Tenho que pesquisar o mistério desta estrela.

Baltazar se levanta e busca um livro muito antigo e grande. Não é que tenho lido uma vez de um tal acontecimento, que há de realizar-se um dia e que terá um significado particular? Folheando no livro. Aqui está: DEUS está vindo à terra, e nela se fará homem e trará a salvação ao mundo. Segui a Sua estrela! Ela vos conduzirá para encontrardes este Divino Menino e poderdes prestar-Lhe homenagem - Silêncio.

Sim, quero pôr-me a caminho para procurar o Divino Salvador.

Novamente olhando para o céu, diz: E tu, minha estrela, me conduzirás - Silêncio.

Mas o que é isto? A estrela se aproxima cada vez mais!

Música - Aparece um Anjo.

Anjo: Não tenhas medo, Baltazar! Levanta-te e segue a inspiração do teu coração. Tu encontrarás o Rei dos Judeus, recém-nascido. Ele será grande e chamado Filho do Altíssimo. Ele reinará para sempre.

Nas mãos o Anjo traz uma caixinha. O Divino Menino, que agora está chegando na terra em humilde condição, não vem somente para vós homens, mas será um dom para toda a terra. As estrelas Lhe estão cantando e a terra O está esperando. Mas somente vós homens podeis ir ao encontro d"Ele. Tome este ouro, leva-o ao Redentor Divino. Leve-o como sinal da Sua realeza.

Música. O Anjo se retira. A cortina se fecha.

 

Segundo Ato

Música. A cortina se abre.

O rei Melquior: sentado em sua mesa e inclinado sobre seus livros. Calculando e pensando. Ele abana a cabeça.

Não compreendo isto. Ai estão três estrelas circulando, estrelas que jamais tinha observado antes.De qualquer modo não cabem nos meus cálculos astronômicos, mas apesar disso se inserem harmoniosamente no cosmo inteiro com seus números e figuras. Parece, que estas três estrelas se estão aproximando uma à outra. Conforme os meus cálculos devem convergir hoje ainda. Terá lugar uma colisão? Vão cair sobre a terra? Não se pode excluir isto. Em todo caso quero observá-las hoje de modo especial.

Melquior fecha seu livro, põe ao lado seus cálculos, levanta-se e fixa seu olhar no Céu.

Um silêncio todo especial. Parece que todo o cosmo pára de respirar. Como estão brilhando hoje as minhas três estrelas. Ah! Agora estão movendo-se com mais velocidade. Falta pouco para se encontrarem. Que acontecerá?----

Que estranho. Elas se uniram a uma única estrela claríssima. O que significa isto?

(Melquior esfrega os olhos) Parece-me que todas as estrelas estão emitindo sinais visíveis, sempre de novo estão refulgindo, e isto (se realiza) regularmente. Será que as estrelas nos querem transmitir uma mensagem?

Franzindo a fronte. Mensagens dos astros- será que isso é possível? Mas pelo menos quero tentar decifrar este fenômeno. Vou anotar os nomes das estrelas que começam a resplandecer, um após outro, talvez possa achar a solução.

Melquior volta à sua mesa, toma os pergaminhos e começa a trabalhar. Alternadamente está escrevendo e olhando ao céu. De repente fica estupefato:

De tudo isto resulta uma mensagem misteriosa: "Nascer-vos-á um Divino Menino. Segui esta estrela!

Comovido Melquior olha para o Céu.---------O que é isto? A estrela aumenta o seu fulgor, parece que vai cair na terra!

Música - O Anjo aparece.

Melquior cai com o rosto por terra.

Anjo: Não tenhas medo, Melquior!

Melquior: Quem sois Vós?

Anjo: Porque te interessa o meu nome? Meu nome é maravilhoso. DEUS me enviou para te guiar ao Divino Menino, do qual leste a mensagem nas estrelas. Foi DEUS quem te concedera a sabedoria de poderes ler nas estrelas. Elas sempre te acompanhavam, mas tu não o reconheceste.

O Anjo entrega a Melquior que está cheio de espanto; uma naveta :

Leva-o contigo e entrega-o ao Divino Menino: contém incenso perfumado. Este incenso deve testemunhar a Divindade do Menino.

Música - O Anjo se retira. A cortina se fecha.

 

Terceiro Ato

Musica - A cortina se abre.

Gaspar está sentado à beira dum lago e olha intensamente nas águas. Ele medita a luz das estrelas que se reflete na superfície da água. Junto dele está sentado o seu servo Aquimed.

Gaspar: Olha as estrelas, Aquimed, como elas estão refletindo-se nas águas. Hoje estão cintilando de modo todo especial.

Aquimed sorrindo: É a água que as faz cintilar assim, ó meu Rei.

Gaspar: Não, Aquimed , eu sinto, que hoje vai acontecer algo nunca visto com as estrelas. Elevando os olhos ao céu, diz: Olha, tu também estás vendo aquelas três estrelas brilhantes? Parece que estão dirigindo-se a um ponto só. Que sairá disto?

Aquimed: (incrédulo) Vai ser simplesmente uma das muitas coisas que se dão no céu estrelado.

Gaspar: eleva-se e diz com insistência. Não, não! Isto significa mais! Isto é um dom do céu à terra. Eu o sinto... (gesticulando com as mãos)

Aquimed: levanta-se também e fala com um certo espanto: Veja, meu Rei, -oh!- as três estrelas se fundiram em uma única. E este clarão... (apontando ao seu redor)

Gaspar: Com olhar de um sábio, seguindo as palavras com a cabeça e as mãos. O que se dá em cima, também se dará em baixo.- Se ali no firmamento se realiza algo tão maravilhoso, em breve cá na terra também acontecerá algo jamais visto. O Céu nos enviou uma luz.

Música - o Anjo aparece.

Anjo: Sim, Gaspar, o céu vos dá uma luz. A Luz do mundo.

Um Menino vos será dado, levantai-vos e ide ao Seu encontro. Segui a estrela. Ela vos conduzirá.

Gaspar: Que darei de presente à Luz do Mundo? Conheceis alguma dádiva digna? O que me aconselharíeis?

O Anjo tira da sua veste um pequeno saquinho/vaso: Toma esta Mirra e aprende: a Mirra é símbolo da amargura. Ela anuncia o martírio e a morte. O Menino, porém, que vos será dado romperá as cadeias da morte.

O Anjo se retira.

Gaspar a Aquimed: Apronta-me os camelos. Vamos à procura deste Menino, que traz a Luz ao mundo!

Música - fecha-se a cortina.

Quarto Ato

Ao ar livre, diante de um albergue no Oriente. Ainda há a plena luz do dia e calor.

Gaspar junto com Aquimed se aproxima do lado com passos solenes.

Aquimed: Ó meu Rei, eis aqui um bom lugar para descansar. Debaixo da palmeira o meu senhor terá um pouquinho de sombra.

Gaspar: Muito obrigado. Senta-se. Como é agradável aqui!

Aquimed: E agora o meu senhor deve comer ainda. O dia inteiro rejeitou tomar alimento, e somente disse: "Continuemos! Continuemos!", como se tivesse algum perseguidor atrás de si.

Aquimed dá um cesto de frutas à Gaspar.

Gaspar: Atrás de mim, tu dizes? Não! Em frente de mim, Aquimed...! (sem fôlego)

Gaspar levanta novamente os seus olhos para cima. Olha, a nossa estrela sumiu! - (mas pensativo continua). Isto talvez quer dizer que temos que passar esta noite aqui. Aquimed inclina-se e sai para arranjar uma hospedagem. Uns minutos depois...

Gaspar grita ainda: Cuida bem dos camelos, eles precisam de descanso e de um bom alimento após uma marcha tão comprida!

Silêncio - Gaspar está observando o céu e a região em redor.

Aquimed volta mais tarde: Tudo bem, tudo está em ordem, ó meu Rei. Obed está cuidando dos animais no estábulo do albergue. Nós iremos revezar-nos na vigília durante a noite.

Gaspar: Muito bem, Aquimed, mas agora me chama o dono do albergue!

Aquimed: Já está vindo por aí, penso. Aquimed sai pelo lado.

Dono do Albergue: (aparecendo pela porta da casa) Pela barba dos profetas, isto me parece uma magnífica visita! Às suas ordens, meu senhor, quais são os seus desejos?

Gaspar olhando ao céu, por cima do Dono do albergue: Meus desejos...? Estes não me poderás cumprir. Apesar disso agradeço muito a tua gentileza, e te peço um simples leito para passar a noite.

Dono: Um simples leito? No quarto de príncipe o meu senhor vai dormir. Pelo menos o senhor é um príncipe, senão até um rei. O meu olhar conhecedor me revela isto... Majestade!

Gaspar: Não digas "Majestade"! Este título pertence a um outro. E também "príncipe"... (refletindo) - Meu DEUS, se fosse verdade, o "Príncipe da paz"...

Melquior aparece no palco (solenemente)

Dono: Depois de ter enxergado a Melquior coloca a mão acima dos olhos e diz nervoso com voz não tão alta. Isto é - isto é, que coisa, o que estou vendo? Mais um hóspede deste gênero! Que devo fazer? Só tenho um quarto de príncipe! Preciso ir ter com minha esposa, ela sempre sabe um bom conselho em tais situações. (esfregando as mãos). Este é um grande dia para minha casa!

Dono sai

Melquior olhando em redor, enxergando Gaspar, se aproxima dele e diz: Com licença, meu senhor, sou estrangeiro, venho de uma terra longínqua. Muitos dias e noites já estou caminhando por regiões desertas. Eu ainda não sei...

Gaspar levanta-se com um gesto de amizade: O que é que meu senhor ainda não sabe?

Melquior (inseguro e hesitando): Ainda não sei - para onde- minha viagem me vai levar.

Gaspar Aí estamos na mesma situação. Também eu não sei, para onde a estrela/

Melquior (interrompendo-o): Estrela - o senhor segue a uma estrela?

Gaspar Sim, eu a vi longe daqui, na terra do rio Eufrates.

Melquior E eu na minha cidade no deserto, no interior de Arábia. Um dia, quando estive observando o firmamento, vi um fenômeno celeste, uma grande e luminosa estrela, que me deu um sinal que/

Gaspar (nervoso). Deixe-me dizê-lo: Estou vendo que o senhor é também um homem sábio, experimentado nas coisas da astronomia, dotado por DEUS. -Num livro que contém toda sabedoria e ciência da humanidade, li sobre esta estrela/

Melquior Pare, pare! Deixe-me explicá-lo por primeiro. Vamos ver , se concordamos. Foram no início três estrelas, a estrela da fé, a estrela da esperança, e a estrela do amor, e depois se uniram na estrela do amor, que estava flamejante no firmamento. Esta estrela anuncia o nascimento do futuro Rei da terra dos Judeus. Este vai trazer um novo tempo de paz, e vai reinar sobre todos os povos e reconciliar os homens com DEUS.

Gaspar (exclama cheio de alegria) Isto mesmo! Exatamente, assim aconteceu.

Melquior Então somos irmãos, servos do mesmo DEUS, que é mais alto do que todos os deuses. Eu me chamo Melquior. (oferecendo a sua mão)

Gaspar apertando amigavelmente a mão de Melquior: E eu me chamo Gaspar!

Melquior: Então, Gaspar, que pretendes fazer?

Gaspar:Já que o mesmo motivo nos uniu a nós dois neste caminho, isto é para prestar homenagem ao Rei de Judá, o Príncipe da Paz, e levar esta boa nova ao nosso povo, acho que poderíamos continuar juntos. a estrela certamente nos vai guiar a Jerusalém, capital de Judá.

Melquior: Quantos quilômetros faltarão ainda para Jerusalém?

O dono aparece de novo

Gaspar: Um momentinho, ai está voltando o dono do albergue. Vamos perguntar a ele.

Dono: Os senhores tem vontade de passar a noite na minha modesta casa?

Melquior Jóia, está bem! Mas gostaríamos de saber, quantos quilômetros nos separam ainda de Jerusalém.

Dono Jerusalém? Já está bem pertinho. Diria, um meio dia de viagem ainda. Se os senhores partirem bem de madrugada, vão chegar lá ainda antes do meio-dia.

Gaspar E como se chama o Rei de Jerusalém?

Dono: (Com desprezo) Herodes, se não me engano, este... Mas também os Romanos têm fortes tropas na cidade.

Melquior Muito obrigado pelas informações. Isto já é suficiente.

Dono Entra na casa. Baltazar aparece no outro lado do palco.

Gaspar (ao Melquior, apontando com a mão a Baltazar) Eis aí! Acho que somos três.

Baltazar olha em redor, enxerga Gaspar e Melquior, hesita um pouco, faz uma reverência muito nobre. Gaspar e Melquior vão ter com ele.

Gaspar Bem vindo aqui. Se não me engano, temos o mesmo caminho. O meu senhor traz a mesma coroa como nós, mas parece que também está chegando de muito longe.

Baltazar Os senhores são muito amistosos. Admiro-me de encontrar aqui dois homens, que evidentemente... Mas permita-me primeiro uma pergunta: Viram também aparecer aquela estrela, a maior e mais bela de todas?

Melquior Sim, sim, a estrela. Vimo-la levantar-se como grande arauto de novos tempos.

Baltazar E foi ele que vos guiou?

Gaspar ( com grande gratidão) Até a este local. Aqui ela nos uniu. (levantando os olhos e os braços ao céu) Graças sejam dadas ao DEUS Altíssimo!

Baltazar: Então somos servos do mesmo senhor.

(Dono aparece de novo)

Melquior E irmãos! O meu nome é Melquior (oferece sua mão direita à Baltazar).

Gaspar (também oferecendo a sua mão) E meu nome é Gaspar.

Baltazar (pegando nas mãos de ambos) Muito obrigado. Chamai-me então Baltazar!

Dono (gritando, mas não muito alto, voltando-se ao público, juntando as mãos em cima da cabeça) Pela barba reverendíssima de todos os santos profetas! O que vêem os meus olhos! Já são três hóspedes deste jeito. Então uma hospedaria para três. Que DEUS me ajude. Será que vai chegar mais um sujeito ainda?

Entretanto a luz se abaixou, porque já está anoitecendo, e as estrelas aparecem no firmamento.

Todos os três Reis levantam seus olhos ao céu.

Gaspar Eis aí a estrela. agora voltou. é como se ela tivesse aguardado até nos encontrarmos aqui, voltando-se a Melquior: Melquior, nós somos as três estrelas. Agradou à providência Divina que procurássemos juntos o Redentor.

Melquior Em verdade, Gaspar, agora encontramos a solução.

Baltazar Segundo a minha opinião existe uma ligação entre a estrela e a esperança dos Judeus da vinda do MESSIAS. As escrituras que eles possuem têm fama de serem extraordinárias. A estrela que nos uniu aqui deve unir todos os homens. O "tempo messiânico", assim chamam-no os Judeus. Vamos ao seu encontro!

Gaspar (novamente apontando à estrela) Há duas horas esteve no zênite. Agora já está no ocidente. Vamos descansar, recuperar as forças, para podermos começar amanhã bem cedo a nossa última etapa a Jerusalém. O Rei Herodes nos poderá dizer onde acharmos o novo Rei dos Judeus, recém-nascido.

Todos entram na casa.

Música - a cortina se fecha.

 

Quinto Ato

No meio do palco está um trono elevado, diante dele um tapete, Herodes andando nervoso.

Herodes  grita com voz alta : Rápido, rápido! Por que demora tanto! Por que estás tão lento, quando o Rei te chama?!

O escriba Ezra entra ( ou sai do seu esconderijo), tendo um rolo de papiro na mão.

Ezra: (fazendo uma reverência) Meu Rei...

Herodes (interrogando-o) Cala boca! Ezra, guarda as tuas palavras piedosas contigo! Agora falo eu, o Rei!

Herodes se senta no trono, cheio de orgulho.

Então, presta atenção, porque te chamei com tanta urgência. Aconteceu algo estranho. Chegaram lá de longe três homens, tendo passado por regiões desertas e abandonadas, para me fazer uma pergunta inaudita. Homens digníssimos, eu te asseguro, doutíssimos e muito sábios - Magos, como eles se chamam. Vieram dos confins do mundo, disseram. Teriam visto aparecer uma estrela, uma estrela extraordinária, grande e fulgentíssima. E esta estrela significaria - escuta bem- que na terra de Judá teria nascido um Rei, um Rei para todos os povos, um Príncipe de Paz. Entendeu? (aumentando a voz ainda mais) Na terra de Judá! Então na minha terra! E eu deveria saber, eles pensaram, onde se encontra o novo Rei dos Judeus.

( de novo, com mais calma, mas com insistência) Em poucas palavras: O que sabes das escrituras? Já que estás lendo todo o dia nelas. Tua cabeça já deve estar arrebentando de sabedoria. Onde então fica o novo Rei? Aqueles três magos querem ir lá e prestar-Lhe homenagem. Eu tenho de saber onde fica, entendeu, Ezra?

Ezra Oh sim, meu Rei. Desenrolando o rolo. No profeta Miquéias se encontra uma passagem (procurando com o dedo) Aqui mesmo!... E Tu, Belém Efrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado governador de Israel" (Miq. 5,1)

Herodes (levanta-se de repente do seu trono e grita muito irritado) O governador- o governador de Israel sou eu! Herodes senta-se de novo Desde quando se espera por um Rei de paz da casa de Davi?

Ezra vira o rolo para trás e aponta a um certo trecho: Um dia o profeta Natã deu ao Rei Davi esta promessa: "Tua casa e teu reino estão estabelecidos para sempre diante de mim, e o teu trono está firme para sempre." (2 Sam.7,16)

Herodes Como? Já desde Davi se espera por um Rei Divino?

Ezra Mais cedo ainda! Já desde o profeta Balaão se está esperando. Pois Balaão abençoou os Israelitas e viu uma estrela a levantar-se dentre o povo do Patriarca Jacó.

Herodes Essa estrela, que os magos viram, será que ela é a mesma que Balaão viu quatrocentos anos atrás, quando os Israelitas marchavam ainda pelo deserto?

Ezra Até mesmo a Judá, o filho de Jacó, remontam as nossas esperanças.

Herodes Basta! Acabou-se esta esperança. Entendeu? Fora com Davi, Jacó e Balaão. Comigo é que começa a história de Israel.-Pausa - refletindo - Em Belém então, é que deve nascer aquele Rei. Não se chama esta cidade "Cidade de Davi"?

Ezra Exatamente, ó meu Rei, e o Messias/

Herodes (interrompendo-o) Basta. Não quero ouvir mais nada desse Messias! (mais baixo, como falando consigo mesmo) Mas pelo menos quero ter certeza, se realmente... (com voz alta e severa) Está bem, pode retirar-se. Chama-me aqueles três peregrinos do deserto.

Ezra inclina-se e sai.

Herodes falando a si mesmo. Falaram de um Rei dos Judeus, recém-nascido, e isto disseram com toda serenidade. Mas tenho que ter certeza. Vou mandá-los para Belém.

Os três Magos entram.

Herodes (lisonjeiro) Aproximem-se, venham cá, meus prezados Senhores!

(explicando) Aquela estrela, ó meus homens de grande sabedoria, se ela está anunciando o nascimento do Messias, do Rei dos Judeus, aponta a Belém. Isto também dizem as sagradas escrituras. Este novo rei só podereis encontrar na cidade de Belém.

Depois Herodes bate com as mãos e grita: Escravos, o melhor vinho-rápido!

Melquior Sinto muito, mas não podemos ficar para festejar, porque foi DEUS quem nos chamou.

Baltazar Sim, é a estrela do Messias que estamos seguindo: ela é a estrela do vosso povo, uma estrela de salvação, de promessa e de esperança.

Herodes (com hipocrisia) Ide a Belém, não é longe daqui, e investigai, cuidadosamente a respeito do menino. Se o tiverdes encontrado, avisai-me para que também eu possa ir ter com ele e adorá-lo!

Música - Os Magos saem - A cortina se fecha.

Sexto Ato

Ben-Jubal está no seu quarto, de joelhos. Erguendo as mãos, ele reza com insistência:

Schemáh Israel, Adonai Elohénu Adonai ehád! (Deut 6,4)

(repetindo-o)

Alguém bate na porta. Ben Jubal não se deixa perturbar e continua rezando: Schemáh Israel, Adonai Elohénu Adonai ehád!

(repetindo-o)

Continua-se batendo à porta. Pouco a pouco ele torna-se impaciente e diz: Quem está me perturbando?

Ouve-se a voz de São José da parte de fora: Ben-Jubal!Ben-Jubal!

Ben se levanta e abre a porta. Na porta aparecem São José e Maria.

Ben Schalóm, José, a paz esteja contigo!

São José E que a paz também te acompanhe!

Ben olha para Maria com um gesto de interrogação.

São José Esta é Maria, minha esposa.

Maria Deus esteja contigo!

Ben E que Deus também te acompanhe! Olhando a José diz: Apenas agora vejo que preciosidade o sumo sacerdote te confiou. E olhando a Maria continua: Também eu estive entre aqueles homens da casa de Davi, que foram chamados ao palácio do sumo sacerdote, a fim de encontrar o esposo que Deus determinou para Maria. Só que o meu ramo ficou seco, enquanto o teu, José, começou a florescer.

São José O Deus Altíssimo o dispôs assim, Ben-Jubal, não eu.

Ben Tens razão, José, não me quero queixar, pois a bênção do Altíssimo também está sobre minha casa. Desde que abri este albergue, ele está sempre lotado. Raramente se encontra um quarto livre. Os denários estão correndo abundantemente, e isso faz bem. (Batendo na sua barriga bem gorda)

São José É verdade, Ben-Jubal? Todos os quartos estão ocupados? Eu tinha tanta esperança de achar hospedagem contigo, pelo menos para Maria.- (suplicando) Por caridade, ajuda-nos!

Ben Não é fácil, José, a cidade está inundada de estrangeiros. Todos querem hospedagem. Mas, - pausa- se tu me deres uns denários a mais, (gesticulando com os dedos) talvez se pudesse arrumar ainda um quartinho para vós.

São José Ben-Jubal, tu sabes, que sou pobre e que não te posso dar dinheiro. Tem pena de nós e não nos manda embora! O Deus Altíssimo te recompensará abundantemente.

Ben ( com amizade simulada - ou com dureza) Sinto muita pena de ti e de tua esposa. Mas não te posso ajudar. Pergunta aos outros irmãos, algum deles certamente ainda vai ter lugar para vós. Ide, já está anoitecendo.

Maria Vem, José, a vontade de Deus nos providenciará um outro local.

Ambos vão-se embora. Ben fecha a porta batendo.

Ben-Jubal se ajoelha e continua a rezar. Muito obrigado, Senhor, muito obrigado pela Vossa bênção que está sobre mim. Obrigado, que não tenho a sorte de José. Como são verdadeiras as palavras do Salmista : "Como a palmeira florescerá o justo, elevar-se-á como o cedro do Líbano " (Salmo 92,13) Mas quem procura coisas vãs, terá pobreza e necessidade em abundância".

Um forte estrondo, Ben-Jubal caí com o rosto por terra.

Uma voz forte ressoa Ben-Jubal, julgas-te vivo, mas tu estás morto! (Apocalipse3,1) Desperta e converte-te. Dizes "Sou rico, faço bons negócios, de nada necessito- e não sabes, que és infeliz, miserável, pobre,cego e nu" (Apocalipse 3,17). Deixa o teu mau proceder e pede misericórdia ao teu Redentor, a quem fechaste a tua porta.

Ben Fechei minha porta? - A quem? - A José? Ben levanta-se e sai correndo pela porta gritando: José- Joséee! Volta! Perdão!...

Música - A cortina se fecha.

 

Sétimo Ato

Música

No centro está o estábulo, com Maria, José e o menino no presépio. A estrela está brilhando em cima do estábulo. Os três Magos entram solenemente do lado de trás do estábulo.

Melquior (apontando para dentro do público) Ali está Belém. Um pouquinho ainda! (vira-se um pouquinho) Eis aí a nossa estrela - parou em cima dum pobre estábulo!?! - pausa! - Mas como se explica isto? - eles ficam parados e perplexos-

Gaspar (duvidando) Será que o Filho do Rei, a Luz do mundo nasce na casa de um pobre, (no campo) na roça?

Baltazar Pensem bem. Durante tanto tempo a estrela nos guiou fielmente no meio dos maiores perigos e através dos desertos mais abandonados. Foi a fé que nos fez partir, a esperança nos deu força para continuar o caminho e finalmente o amor nos uniu como irmãos e servos do mesmo Deus. E agora quereis duvidar?

São José sai de dentro do estábulo e começa a colher lenha

Melquior diz a São José Com licença, esta é a tua casa, senhor?

José responde, um pouco perplexo, com grande respeito: Minha casa- não é, não. Sou peregrino, e arrumei um modesto abrigo aqui para minha esposa e para mim, porque chegou a hora em que ela deu à luz um menino.

Melquior Um menino?

São José Sim, meu senhor, ela deu à luz um menino, e isto de maneira maravilhosa. Sou somente o indigno protetor deste menino e de Sua Mãe, que estão lá no estábulo.

Baltazar: Este é o menino que estamos procurando. Que pobreza, e nasceu durante a viagem- mas em Belém, como está escrito. (olhando para cima) E sua estrela... (apontando à estrela)

Gaspar voltando-se a José diz: Vimos aparecer a Sua estrela na terra do oriente. Viemos de longe, porque um Anjo nos disse que isto significa o nascimento do Rei dos Reis, que será o príncipe da paz. E esta estrela nos conduziu. Estamos aqui para prestar-Lhe homenagem, pois este menino vai salvar a Israel e a todos os povos.

São José Sim, Deus teve compaixão com Seu povo e desceu até nós homens.

Baltazar Convidando os outros: Finalmente tendo encontrado o Rei do mundo, queremos adorá-LO e entregar-Lhe os nossos presentes.

São José os conduz para dentro do estábulo, onde estão Maria e o Menino. São José mesmo fica de fora. Os três Reis Magos se ajoelham e dizem:

Baltazar: Vós sois um verdadeiro Rei, ó meu Menino - Salvador!

Por isto ouro Vos darei - é um humilde dom do meu amor.

Melquior: O incenso significa Divindade, prostremo-nos perante nosso Deus!

A fé foi que guiou-nos em verdade; que Deus sempre a dê aos servidores Seus.

Gaspar : Amargura traz a mirra no seu seio. Pela humana natureza assumida, o Deus-Homem finalmente veio pra redimir aquilo que é perdido.

                             -Silêncio-

Ainda procurando, Ben-Jubal aparece no palco, saindo do meio do público, e aproximando-se de José, gritando : José, José! Onde estás?

São José vai ao encontro dele.

Ben-Jubal (chorando e pegando na sua mão) José, perdoa-me! Eu fechei a minha porta e meu coração diante de vossa necessidade. O quarto mais lindo quero arrumar para ti e tua esposa. Podereis ficar lá tanto tempo quanto quiserdes.

São José Pssst! Calma, Ben-Jubal! Está bem. (Colocando a mão sobre seu ombro) Vem para dentro, quero te mostrar algo - aquele, que traz o perdão de todas as nossas culpas- (Com muita dignidade continua)

                   O SALVADOR DO MUNDO!

Música - Ambos entram no estábulo, caem de joelhos e adoram o menino.

 

                           -Silêncio-

 

Aproximam-se ainda do estábulo o Anjo, Aqumed e o Dono do albergue, eles se ajoelham e adoram o Menino.

 

Todos cantam um cântico de Natal (Noite Feliz...)

A cortina se fecha pela última vez.


 

 


COMUNHÃO DOS SANTOS